O desaparecimento da Memória da Humanidade

Relógio representando o passar do tempo e papiro sem imagens ou escrita representando o apagar da memória

O tempo não volta!”. Quantas vezes já ouvimos esta frase e nos perguntamos sobre o passado longínquo ou recente?

Pois é, o tempo volta sim! Basta buscarmos em nossa memória, e muitas vezes nem precisamos dela para nos lembrar e de relembrar de tempos passados!

Buscamos sempre olhar para frente, porém a todo o momento fatos presentes nos remetem ao passado, e claro, não podemos deixá-los para trás, pois é através do que houve que mantemos vivos os momentos históricos, bons ou não tão bons, para que nunca esqueçamos que o presente e o futuro não necessitam reviver os amargos e assustadores fatos do passado.

Sim, queremos e necessitamos manter a esperança de que o mundo pode e deve ser melhor para nossos filhos, netos, demais descendentes e para nós mesmos, e para isso se faz necessário mantermos preservados documentos do passado e do presente para que sirvam de alerta, de inspiração, de conselho ou até mesmo para apurar denúncias fundadas ou não fundadas.

Todos os dias somos lembrados da tão grande importância dos documentos! Mas como nossos documentos tem sido e estão sendo tratados? Na verdade esta pergunta é muito fácil de responder, infelizmente não da maneira que gostaríamos de ouvir, porém a resposta é clara, tratamos com descaso nossos documentos, ou seja, estamos maltratando nossa memória!

Muitas vezes, acabamos sabendo do que se passou em nosso passado através dos “outros”, sim dos outros, outros povos, e isso se repete o tempo todo.

Eu sempre procurei evitar mexer em feridas, mas há momentos que necessitamos expô-las para que novas feridas não aconteçam.

Pois bem, de tempos em tempos ouvimos falar em ditadura, e por qual motivo isto acontece? Esta também infelizmente é fácil de responder! Acontece, pois os principais envolvidos preferem que tais fatos passados caiam no esquecimento, e é devido a tais atitudes dos envolvidos direta ou indiretamente que documentos “desaparecem”, para que futuras gerações não lembrem de atrocidades cometidas.

Mas como mencionei anteriormente, as feridas não precisam ser reabertas para que novas feridas sejam causadas, mas sim para que novas feridas não voltem a se repetirem, por este motivo necessitamos manter TODA nossa MEMÓRIA VIVA, e se há uma forma, precisamos exigir cada vez mais que os documentos do passado, presente e futuro recebam os devidos tratamentos e procedimentos adequados para sua eterna preservação, e não estou falando só de manter a salvo dados e informações, deixo claro neste momento que necessitamos de manter preservados os documentos originais e até mesmo seus rascunhos que deram início a feitura até chegar a sua plena finalização, exemplo claro disto são os diversos achados de rascunhos de partituras, desenhos, plantas, cartas, ofícios entre muitas outras espécies e tipos mais variados.

Reflitam, encontramos dados e informações em documentos originais, rascunhos e fragmentos de documentos e rascunhos!

Perguntem-se, conseguimos encontrar documentos em fragmentos de dados e informações? Talvez, mas não com a mesma certeza de que encontramos dados e informações em documentos originais, rascunhos originais e até mesmo em fragmentos destes originais.

O único caminho para mantermos a memória de toda humanidade viva é através das técnicas e procedimentos arquivísticos, e isto só é possível até o presente momento através dos profissionais habilitados para tal desempenho.

Tenho orgulho de fazer parte desde todo, pois sou ARQUIVISTA.

Por: Ronaldo Ceravolo para o Jornal eCuesta
Imagem: Reprodução | Internet

Ronaldo Ceravolo
Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal do Espírito Santo
Consultor e Gestor de Documentos, Informações e Dados
Pesquisador em Gestão de Documentos, Informações e Dados

Blog: Mundo Arquivístico
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