Eliminando a Memória

Pessoas usando Equipamento de proteção individual faz a limpeza de parteleiras de arquivos

Por: Ronaldo Ceravolo para o Jornal eCuesta
Em: Sábado, 22 de setembro de 2018
Imagem: Reprodução | Internet

Analisem e me deem uns óculos caso minha visão esteja estrábica!

No recorte que destaco a seguir entendi o seguinte: "Que para poder gerir melhor a informação/massa documental, é sacrificado (eliminado) literalmente parte da massa documental" ou seja, separa-se para guarda o que se "julga indispensável" e não o fato de quem realmente irá necessitar do documento e/ou informação nele contida, ou seja, não é guardado/preservado o todo (massa documental) pensando em cada cidadão que possa necessitar do documento e/ou informação, é guardado/preservado o que "acreditam" ser necessário e que realmente fará falta caso descartado. E sempre por causa de falta de espaço. É como se pensassem "Vão-se os anéis, mas ficam os dedos".

Pois é, foram-se as joias, e muitas vezes raras, porém acredita-se que é melhor preservar os dedos do que as joias. Entendam, não estou dizendo que é melhor deixar de salvar algo para que pelo menos que se salve alguma coisa, melhor o pouco do que nada, não é isso! Concordo que é melhor ter algo do que nada, mas será que não estamos deixando joias serem eliminadas no meio dos descartes em prol do mínimo por falta de espaço?

SEGUE O RECORTE

Indolfo (2013) leciona que o norte-americano Philip C. Brooks é identificado como o primeiro profissional a fazer referência ao ciclo vital dos documentos, conceito que se materializou na criação de programas de gestão de documentos e na implantação de arquivos intermediários. De acordo com Jardim (1987, p. 35), Burnet traduz a gestão de documentos como oprocesso de reduzir seletivamente a proporções manipuláveis a massa de documentos, que é característica da civilização moderna, de forma a conservar permanentemente os que têm um valor cultural futuroe resulta não apenas do reconhecimento da incapacidade (espacial, econômica e técnica) de se assegurar tratamento adequado para toda a massa documental recolhida pelas instituições arquivísticas, mas também da necessidade de se tratar a documentação para acesso do interessado.(Grifo nosso) Fiz propositadamente grifos diferenciados para destacar cada detalhe!

O recorte que fiz faz parte de O ARQUIVISTA NA AURORA DIGITAL: DIÁLOGO COM BRUNO DELMAS

Fonte: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/revista_do_arquivo/06/pdf/SCHWAITZER_L_B_S_-_O_arquivista_na_aurora_digital__dialogo_com_Bruno_Delmas.pdf

Ronaldo Ceravolo
Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal do Espírito Santo
Consultor e Gestor de Documentos, Informações e Dados
Pesquisador em Gestão de Documentos, Informações e Dados

Blog: Mundo Arquivístico
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