Michel Temer sofre atentado e está em estado grave

Você já imaginou as consequencias e o impacto de uma notícia com esta manchete?

Nos últimos anos, o termo fake news (falsas notícias) tem aparecido com mais frequência nas redes sociais. A maior parte das "notícias" é criada para atrair audiência e obter cliques, consequentemente aumentando a receita com anúncios. As falsas notícias também são usadas para defender os interesses próprios ou desconstruir alguma tese.

A utilização da fake news foi presente com muita força durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, no ano passado, vencida pelo candidato republicano Donald Trump. Acontece que disseminar informações falsas pode afetar grandes empresas, como foi o caso da Pepsi Cola. Tal fato levou professores de jornalismo e especialistas da área a alertar que essas publicações precisam ser analisadas minuciosamente quanto a sua veracidade.

A triste verdade é que, mesmo muitas histórias publicadas pela grande mídia hoje são o que poderíamos considerar notícias falsas. Manchetes sensacionalistas, relatórios antiéticos e uso de fontes totalmente não confiáveis de forma desenfreada são práticas muito comuns na era da Internet e de uma competição acirrada entre empresas de comunicação. Então, você tem a blogosfera e a mídia social, onde qualquer indivíduo perturbado tem o poder e a facilidade de colocar notícias negativas dizendo literalmente o que quiser para milhões de pessoas

ENTENDA O CASO DA PEPSI COLA

Durante a campanha eleitoral de 2016, nos Estados Unidos, os simpatizantes de Trump decidiram boicotar todos os produtos da Pepsi. E o motivo? Por conta de uma declaração que a CEO da empresa nunca fez. Clique e confira a falsa notícia

Em meados de novembro, informações se espalharam rapidamente nas redes sociais afirmando que Indra Nooyi disse aos fãs de Trump para “comprar os produtos da marca em outro lugar”

Acontece que isso nunca foi dito. Ademais, ela ainda parabenizou o presidente eleito em sua vitória, mas condenou a feia retórica da campanha. O fato é que Indra Nooyi apoiou a democrata Hillary Clinton nas eleições e sempre foi contra as ideias e propostas de Trump no decorrer das eleições.

A eleição acabou. Eu acho que devemos lutar para aqueles de nós que apoiaram o outro lado. Mas nós temos que nos unir e a vida tem que continuar”, disse ela. A PepsiCo não comentaria o boicote ameaçado, exceto para dizer que Nooyi estava se referindo a “um grupo de funcionários com quem falou que estavam apreensivos com o resultado das eleições”.

Resultado - A notícia mal-intencionada causou prejuízos pra empresa. No dia em que a falsa citação de Nooyi foi divulgada houve uma queda de 35% nos produtos da Pepsi

No entanto, outro dado chama mais a atenção. Nas semanas anteriores ao falso incidente de notícia, o preço das ações da Pepsi era em média de US$ 106,58. No fim de semana que se seguiu, quando as informações foram compartilhadas nas mídias sociais, o valor ficou abaixo de US$ 100. O prejuízo só não foi maior porque rapidamente a notícia foi refutada pela empresa, evitando uma mancha na reputação.

COMO EVITAR AS CONSEQUENCIAS DE UMA NOTÍCIA FALSA

Checar a fonte - Notícias falsas não são divulgadas por jornalistas respeitáveis ​​ou meios de comunicação tradicionais importantes, mas sim por operadores de canais de redes sociais, sites sensacionalistas e blogs diversos. As falsas notícias podem até conter fontes, mas costumam ser vagas e geralmente não são rastreáveis. Portanto, verifique bem

Urgência - Para impedir que notícias falsas sobre sua empresa, produto ou até mesmo sobre a sua pessoa se espalhem rapidamente — como foi o caso da Pepsi — monitore constantemente as redes sociais. Uma das maneiras para facilitar esse trabalho é por meio das alertas do Google. Você pode configurar para que o Google envie um e-mail ou notificação sempre que o seu nome, da sua marca ou produto for mencionado online. Quanto mais tempo a publicação estiver no ar, mais pessoas serão alcançadas. Portanto, seu objetivo é impedir — o mais rápido possível — que a informação se propague

Posicionamento nos canais de mídia - Se encontrar qualquer notícia falsa da sua empresa, do seu produto ou seu nome nas redes sociais, você pode solicitar que ela seja retirada imediatamente. É importante fazer uma postagem oficial negando determinada notícia publicada. Use todos os meios para realizar isso — Facebook, Twitter, site ou blog. Mandar e-mail para os clientes e amigos também é uma opção interessante

De acordo com um estudo de pesquisa, 33% dos funcionários falam sobre a organização que trabalham nas mídias sociais espontaneamente. No marketing de influência, eles são considerados como defensores da marca. Portanto, as empresas podem criar e distribuir histórias certas e “seguras” diretamente nas mãos dos funcionários para que eles postem e compartilhem.

O FUTURO DAS NOTÍCIAS FALSAS

Em um mundo bastante competitivo e com cada vez mais pessoas presentes no ambiente online, a concorrência por clique só aumenta. Utilizar fake news para conseguir aumentar a audiência e receita com publicidade é um jogo sujo que afeta até mesmo grandes empresas e pessoas, como foi o caso da Pepsi. No âmbito político, a frequência de falsas notícias é ainda maior, uma vez que servem como artificio para defender os próprios interesses e desconstruir a verdade do outro.

Atualmente, empresas como Facebook e Google já estão com recursos para evitar que informações falsas sejam postadas ou encontradas no mecanismo de busca. Existe ainda outra maneira de você pesquisar se estiver em dúvida sobre determinado assunto. Basta digitar o tema que você quer saber se é verdade ou não e colocar a palavra hoax na sequência. O Google automaticamente lista todas as notícias falsas que foram divulgadas acerca do assunto.

COMO IDENTIFICAR UM SITE DE NOTÍCIAS FALSAS

Não são sites de empresas da grande mídia comercial, tampouco veículos de mídia alternativa com corpo editorial transparente, jornalistas que se responsabilizam pela integridade das reportagens que assinam, ou articulistas que assinam artigos de opinião.

Tratam-se de sites cujas "notícias" não têm autoria, são anônimos e estão bombando nas bolhas sociais criadas pelo Facebook e proliferam boatos, calúnias, difamações e até correntes de WhatsApp.

Características em comum

1. Foram registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registados no Brasil.

2. Não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página 'Quem Somos' não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.

3. As "notícias" não são assinadas.

4. As "notícias" são cheias de opiniões — cujos autores também não são identificados — e discursos de ódio (haters).

5. Intensiva publicação de novas "notícias" a cada poucos minutos ou horas.

6. Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.

7. Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem com que pareçam grandes sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.

8. São repletos de propagandas (ads do Google), o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por dia no Facebook).

ALGUNS DOS DISSEMINADORES DE FALSAS NOTÍCIAS

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
* Implicante: http://www.implicante.org/
* JornaLivre: https://jornalivre.com/
* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/
* Sociedade Oculta: http://www.sociedadeoculta.com/

Uma pesquisa mais profunda poderá confirmar a hipótese de que algumas destas páginas foram criadas pelas mesmas pessoas, seja por repercutirem "notícias" umas das outras, seja por utilizarem exatamente o mesmo template e formato.

Distribuição - Todos esses sites possuem páginas próprias no Facebook mas, de longe, os sites com mais "notícias" compartilhadas são o JornaLivre e Ceticismo Político, que contam com a página MBL - Movimento Brasil Livre como seu provável principal canal de distribuição, e o site Folha Política, que conta com a página Folha Política para distribuir suas próprias "notícias". Ambas as páginas possuem mais de um milhão de curtidas e de repercussões (compartilhamentos, curtidas, etc.) por semana realizadas por usuários do Facebook.

Para diversos veículos de imprensa, a proliferação de boatos no Facebook e a forma como o feed de notícias funciona foram decisivos para que informações falsas tivessem alcance e legitimidade. Este e outros motivos têm sido apontados para explicar ascensão das falsas notícias.

Plataformas como Facebook, Twitter e Whatsapp favorecem a replicação de boatos e mentiras. Grande parte dos factóides são compartilhados por conhecidos nos quais os usuários têm confiança, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias.

Os algoritmos utilizados pelo Facebook fazem com que usuários tendam a receber informações que corroboram seu ponto de vista, formando bolhas que isolam as narrativas às quais aderem de questionamentos à esquerda ou à direita.

Por: Redação | Jornal eCuesta
Imagem: Jornal eCuesta