Agosto Dourado

Em uma escadaria, mães amamentando seus filhos, tendo duas delas em primeiro plano

Por: Jornal eCuesta | Caderno Digital Feminices
Em: Quarta Feira, 08 de Agosto de 2018
Imagem: Reprodução | Internet

"Agosto Dourado", mês dedicado à intensificação das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno. O tema da Semana Mundial de Aleitamento Materno 2018, que aconteceu na primeira semana do mes de Agosto, foi "Amamentação: a base da vida", chamando a atenção para importância vital da amamentação na construção de uma saúde com base sólida.

Para ter tal repercussão na saúde de um indivíduo, a amamentação tem que ter impacto em todos os sistemas do organismo, tanto que o tema tem sido explorado nas diversas especialidades médicas. Assim, em comemoração ao Agosto Dourado, o Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria selecionou 31 artigos publicados recentemente, com interface com todos os 31 departamentos científicos. Todos os departamentos serão contemplados, prova incontestável de que o aleitamento materno é um tema interdisciplinar da mais alta relevância.

É LEI

O Congresso Nacional sancionou recentemente a Lei 13.435/2017 prevê a iluminação de prédios públicos com a cor dourada, a promoção de palestras e eventos e a divulgação de informações no rádio, na TV e na internet sobre os benefícios do aleitamento materno.

Vários projetos no Senado buscam assegurar o direito ao aleitamento materno. Entre eles, uma proposta da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que estabelece punição com multa de até R$ 477 mil quem constranger uma mãe que esteja amamentando em locais públicos (PLS 514/2015).

LEITE MATERNO É A BASE DA VIDA

Ele sacia a fome e impulsiona o viver. É, naturalmente, indispensável nos primeiros momentos da existência. Assim é o leite materno: a base da vida. A recomendação mundial é de que o aleitamento deve ser exclusivo até o 6 meses e complementado com adição de alimentos variados até os 2 anos ou mais. Afinal, amamentar é um ato de amor sem limites!

COLOSTRO

O colostro é o primeiro leite materno após o parto. Ele contém um aspecto mais espesso e amarelado. Ele é rico em proteínas, anticorpos, vitaminas, lactose e sais minerais.

É tão importante para o bebê que é considerado a primeira vacina do recém-nascido. Ele protege a criança de infecções, ajuda na digestão e na limpeza do sistema digestivo do bebê.

A lactante produz entre 3mL a 5mL por mamada, correspondente a capacidade gástrica do bebê em seus primeiros dias de vida. O colostro é produzido por 5 a 7 dias após o parto.

LEITE DE TRANSIÇÃO

Após o colostro, a gestante passa a produzir o leite de transição. Esse leite acontece entre as duas primeiras semanas após o nascimento do bebê. A cor desse leite, diferente do amarelado do colostro, passa a ser mais esbranquiçado e há um aumento significativo no volume. A composição do leite de transição é mais rico em calorias, pois possui maior quantidade de gorduras, lactose e vitaminas.

O volume de produção do leite de transição, em alguns casos, é tanto que pode provocar ingurgitamento, onde as mamas da mãe ficam cheias e endurecidas, e mastite, uma infecção que pode acontecer quando as mamas não são esvaziadas com frequência.

Apesar de ser muito positivo essa produção abundante de leite, a mulher precisa tomar alguns cuidados para que ela não sofra com o ingurgitamento e a mastite.

Uma opção para as lactantes que produzem leite em grande quantidade é a doação para bancos de leite materno, que são tratados e repassados para bebês em situações que não podem receber o leite de suas próprias mães por motivos variados.

LEITE MADURO

Após duas semanas do parto, o leite materno é considerado como leite maduro. Diferente do leite de transição, a produção do leite é mais controlada. Acontece nesse momento uma regularização da produção em razão das necessidades do bebê.

Por esse motivo, algumas mulheres podem acreditar que seu leite diminui ou que esteja secando, mas não é isso que acontece. É natural que o leite maduro seja produzido em menor quantidade do que o leite de transição.

Da mesma forma nas outras fases, esse leite é rico em nutrientes essenciais para a saúde da criança.

BENEFÍCIOS DO ALEITAMENTO MATERNO

O aleitamento materno exclusivo, ou seja, sem outras fontes de líquidos ou sólidos, contém todos os nutrientes essenciais para o crescimento e o desenvolvimento da criança até os seis meses de vida. E como complemento, ele continua sendo uma importante fonte de nutrientes até o segundo ano de vida ou mais.

Iniciar alimentos complementares antes de seis meses de idade não é recomendado, pois pode causar prejuízos à saúde da criança e da mãe.

O leite materno pode melhorar a resistência da criança e evitar infecções respiratórias, reduzir riscos de alergias e doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão, obesidade e dislipidemia. Além disso, há evidencias científicas que comprovam a contribuição no melhor desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Ajuda na prevenção do câncer de mama

A amamentação é considerada uma forma de prevenção contra o câncer de mama. Estimativas mostram que o risco de mulheres que amamentaram seja 22% menor do que para as mulheres que nunca amamentaram.

A porcentagem é gradativa conforme o tempo de amamentação, sendo de 7% para as mulheres que amamentaram por 6 meses, 9% para as que amamentaram de 6 a 12 meses e 26% para as que amamentaram por um período superior a 12 meses.

Além disso, os números também são interessantes no que diz respeito a sobrevida de mulheres que tiveram um câncer de mama, mas que amamentaram.

O estudo feito com essas mulheres mostrou que o risco de morte para mulheres que foram submetidas a uma cirurgia por câncer de mama e que nunca amamentaram, ou que amamentaram por 6 meses ou menos, é 3 vezes mais alta do que para as que amamentaram por tempo superior.

Pesquisas mostram que o incentivo ao aleitamento representa a prevenção de mais de 20 mil mortes por câncer de mama.

Diminui o risco de câncer no ovário

Estudos feitos com pacientes com câncer no ovário mostraram que é possível reduzir as chances da doença em até 30% quando se tem o aleitamento materno mantido por mais tempo.

Auxilia na proteção contra o carcinoma do endométrio

Assim como no câncer de mama e de ovário, as chances de mulheres que amamentaram desenvolverem um câncer do endométrio é inferior às chances de mulheres que nunca amamentaram. Com o aleitamento materno o risco diminui em 11% para essas mulheres.

Reduz o Risco de Diabetes Tipo 2

A diabetes tipo 2 é uma doença crônica comum e, de acordo com algumas pesquisas, as chances são menores em mulheres que amamentam, onde o risco cai em 32%.

Reduz a Enxaqueca

A amamentação pode contribuir para a redução de enxaquecas após o parto em muitas mulheres. Casos acompanhados de mulheres que apresentam essas fortes dores de cabeça antes do parto, tiveram uma diminuição na ocorrência após o aleitamento.

É PRECISO UNIR FORÇAS

Em todo o mundo, apenas 38% das crianças são amamentadas exclusivamente conforme as recomendações de entidades como a Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e outras, que é o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda até o sexto mês de vida. Há uma meta global a ser atingida até 2025, que é de pelo menos 50% dos lactentes receberem o aleitamento materno. Porém, para que isso aconteça são necessários esforços de mulheres, homens, sociedade e todos que possam contribuir.

Garantir o direito à amamentação é responsabilidade de todos!

DECLARAÇÃO DE INNOCENTI

O documento chamado Declaração de Innocenti surgiu do encontro entre a OMS e UNICEF em 1990. Nele, alguns objetivos foram traçados e passados para as organizações governamentais e não governamentais de vários países, incluindo o Brasil.

São quatro objetivos operacionais que visam reduzir o número de mortalidade infantil, tendo como premissa promover a sobrevivência, proteção o desenvolvimento infantil.

  • • Estabelecer um comitê nacional para coordenar as ações voltadas a amamentação;
  • • Implementar os “10 passos para o sucesso da amamentação” em todas as maternidades;
  • • Executar o Código Internacional de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno e todas as resoluções propostas pela Assembleia Mundial da Saúde;
  • • Adotar uma legislação que promova a proteção da mulher na amamentação no trabalho.
  • PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE O ALEITAMENTO MATERNO

    Algumas dúvidas e mitos surgem quando o assunto é amamentação. Conheça abaixo, algumas questões frequentes sobre o tema.

    É proibido amamentar em público?
    Não. Em nenhum local do Brasil a amamentação em público é crime, portanto, a prática não deve ser proibida ou recriminada.

    Apesar de pertencer a um processo natural da maternidade, a amamentação quando é realizada em lugares públicos divide opiniões, muitas vezes sendo bastante criticada.

    Contudo, amamentar é um direito da mulher e do bebê. A decisão de amamentar em público ou não cabe somente a mulher.

    Para que isso seja possível, a mulher precisa se sentir confortável e segura, pois é uma necessidade da criança a amamentação.

    Pode ser útil para as mães que se sentem desconfortáveis com a exposição o uso de mantas ou toalhas para cobrir o colo, garantido um pouco mais de privacidade. Para as pessoas em volta, resta o respeito pelo momento e empatia.

    Existe um tempo ideal para cada amamentação?
    Não, o tempo de uma mamada quem faz é o próprio bebê. Ele deve mamar até ficar satisfeito. É importante perceber se ela está ingerindo o leite que contém mais gordura, pois é este que o deixará saciado.

    Os sinais de que o bebê está satisfeito são dados espontaneamente, quando por exemplo ele solta a mama ou acaba adormecendo no colo da mãe.

    A lactante deve oferecer os dois seios para o bebê durante a mamada?
    Não existe uma regra. Enquanto a mãe está amamentando ela perceberá quando o bebê está satisfeito e assim parar ou, se notar que ainda não está saciado, trocar para outra mama. É um processo natural e vai sendo moldado aos poucos.

    Mulheres com leite excedente podem amamentar outros bebês?
    Não, essa prática não é recomendada. Essa amamentação chamada de amamentação cruzada é considerada um risco para a saúde dos bebês e das mulheres, pois muitos microorganismos podem ser transmitidos, inclusive o HIV.

    A opção mais saudável para as mulheres que produzem muito leite é a doação para Bancos de Leite Humano. Além de ser um procedimento seguro, este gesto ajudará a salvar outras vidas.

    Existe leite fraco?
    Não. Esse é um mito sobre o aleitamento materno. Pode acontecer, durante a transição do leite, que as mulheres desconfiem de que ele tenha mudado ou que esteja mais fraco, devido a sua aparência mais esbranquiçada.

    Isso é normal e não significa que o leite é menos nutritivo. Até mesmo mulheres desnutridas são capazes de produzir um bom leite materno com tudo que o bebê precisa.

    As mamadas devem ser feitas com horário marcado?
    Não é necessário tornar esse processo tão rigoroso. O recomendado é que sejam feitas mamadas frequentes, sem horário e duração pré-estabelecida. O bebê deve mamar até se sentir saciado e sempre que demonstrar sinais de fome.

    O que fazer quando ocorre o ingurgitamento?
    O ingurgitamento é quando as mamas da mãe ficam mais endurecidas, devido a produção excedente de leite. Quando isso acontece, as lactantes podem fazer massagens em movimento circular nas mamas e após essa massagem colocar o bebê para mamar.

    Se estiver muito cheia, a mulher pode retirar um pouquinho do leite antes de amamentar. Isso ajuda para que a aréola fique macia e o bebê tenha mais facilidade para mamar.

    Se mesmo após dar de mamar para o bebê as mamas continuarem cheias, é recomendado que a mulher faça a ordenha e armazene o leite, que pode ser doado.

    O leite materno é fundamental para a saúde dos bebês e para as mães. Também é fundamental que o aleitamento materno seja incentivado e promovido.

     

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