Liberdade de Expressão não é Liberdade de Ofensa

Liberdade de expressão não é liberdade de ofensa. O pessoal não entendeu – ou ainda finge não entender – que nesse mundo altamente “rastreável”, atacar, xingar ou tramar virtualmente não compensa. Claro que gente idiota existe e seguirá existindo, mas os mal informados são muitos mais. E não precisa ir longe para trombar com uma toupeira humana dessas.

A regra é clara e simples: discordar pode, criticar também, argumentar é melhor ainda. Ofender, não.

Faça um rasante por matérias polêmicas e perfis quentes em redes sociais e navegue na caixa de comentários. É lá que a magia acontece: adolescentes, homens e mulheres feitos e acima de qualquer suspeita no mundo real tornam-se racistas, antissemitas, homofóbicos e vários outros tipos criminosos em um rajar de cliques.

Decepcionante é ver, graças a uma dessas métricas das próprias redes, que algumas dessas aberrações vêm de nossos amigos ou colegas, uma vez que os comentários deles aparecem em primeiro.

Entre opinar e ofender, existe um abismo colossal. Se eu já ofendi alguém? Provável, em algum estágio desses 56 anos de vida – e também provavelmente antes “do advento das redes sociais”. E por quê? Porque descobri cedo que rede social é vida pública, e não privada.

Não que entre quatro paredes eu saia desrespeitando as pessoas, xingando ou batendo no peito para defender discursos de ódio apaixonadamente. Longe disso, bem longe, diga-se.

No Facebook, LinkedIn, Instagram e Twitter, as redes que uso mais, entretanto, a imensa maioria dos meus contatos não faz parte do meu circulo de amizades, sequer me viu pessoalmente.

Por que, então, me engalfinharia em um barraco virtual que não dará em nada e/ou sairia atirando contra esse e aquele sem nenhum argumento, passando recibo de sociopata só porque acordei num mau dia?

Para encarar meus demônios, recorro a metodos bem mais eficazes do que uma rede social.

Por: Roberto Singer | Jornal eCuesta
Imagem: Reprodução | Internet