Da forma que lhes convêm

Fundo com imagens desfocadas de pessoas e celebridades com o sinal gramatical das tremas também em vermelho no centro de um retangulo branco

Por mais que expliquemos, sempre haverá alguma coisa que alguém não vai entender como deveria. Fazer o quê? É a vida, esse longo e infinito exercício de paciência.

Algumas coisas e algumas pessoas não merecem nem um segundo da nossa atenção. Sempre que você tenta facilitar as coisas existe alguém pronto a tornar a vida mais difícil. Esclarecemos, elucidamos, damos exemplos, desenhamos e de nada adianta.

Por mais que expliquemos, sempre haverá uma alma disposta a compreender só o que quiser, a interpretar como bem entender o que nós dissemos ou escrevemos e a chegar a uma conclusão completamente diferente da que nós pretendíamos. Então, explicar de novo para quê? Por quê? Diz uma vez e deixa o outro deduzir como preferir. A vida é muito curta para explicações longas.

A verdade é que bons ouvintes ou leitores dispensam grandes justificações. E também é verdade que nós não deveríamos perder tempo à toa. Tempo a gente vive. E eu não quero viver o meu explicando algo a quem não vai entender mesmo. Aliás, eu acho até que quem quer sempre fazer-se entender, quem pretende a todo o tempo ser compreendido precisa na verdade de ajuda de alguém para redirecionar a sua energia e o seu foco.

Nós nem sempre somos compreendidos como desejamos. Quem ouve ou lê, quase sempre há de ouvir ou ler apenas o que lhe satisfizer e convier. De tudo o que lhe for dito, entenderá apenas o que lhe parecer conveniente. Portanto, explicar demais é inútil.

Se for mesmo indispensável apresentar álibis e provas, encontrar testemunhas e convencer alguém de que você é inocente, contrate um advogado. Em outros casos, vire a página, passe adiante e segue em frente. Por mais que você explique certo, alguém vai sempre insistir em entender tudo errado.

Por: Roberto Singer | Jornal eCuesta
Imagem: Reprodução | Internet